Curta explicação sobre o que foi o apartheid:
Segundo a cultura africana a palavra apartheid significa
vidas separadas, ou seja, brancos de um lado e negros de outro. O apartheid foi
o regime de segregação racial mais cruel de toda a história porque a sua
prática era totalmente aprovada pelo governo que sancionava as leis de ordem
separatista, e com isso garantia poder absoluto para a minoria branca. Após a
Segunda Guerra Mundial o Partido dos Nacionalistas ascendeu ao poder na África
do Sul interrompendo a política de integração que até então o governo vinha
implantando. Vale lembrar que desde o período da colonização da África do Sul
os europeus sempre buscaram obter privilégios que os mantinham socialmente numa
situação de superioridade em relação aos negros.
Porém em 1948 essa
problemática relação de desigualdade social chega ao seu ápice na África do
Sul: o Partido dos Nacionalistas conseguem oficializar a segregação racial no
país, o apartheid torna-se uma política de governo e a discriminação racial que
já era praticada pela população passa a ser institucionalizada.
Com
o apartheid os direitos de cidadania dos negros foram praticamente extintos.
Eles foram proibidos de ocupar os mesmos lugares que os brancos, tais como
transportes coletivos, escolas, banheiros e outros espaços públicos. Cerca de 87% do território da África
do Sul ficou sob o domínio da elite branca, os negros e outros grupos sociais
não brancos ocupavam o que restava em territórios independentes, verdadeiros
bolsões de misérias denominado bantustões (locais só para negros).
Na década de 70,
seguindo uma tendência internacional liderada pelo movimento negro americano,
várias ondas de revoltas surgiram na África do Sul. Mas as manifestações dos
negros eram duramente reprimidas pelos brancos.
Contudo,
além das revoltas internas a África do Sul passou a sofrer também neste período
pressões internacionais da ONU (Organização das Nações Unidas) e Organização da
Unidade Africana, que condenavam o regime segregacionista praticado pela África
do Sul.
Somente
em 1990 a África do Sul sucumbe às sanções internacionais e põe fim ao
apartheid. O líder negro Nelson Mandela que cumpria pena de prisão perpétua
desde 1964 foi solto nesse mesmo ano.
Em
1992 a FIFA readmite a África do Sul em seu quadro esportivo, e em 1993 ocorrem
as primeiras eleições livres do país e Mandela é eleito presidente da África do
Sul e governa de 1994 a 1999.
Teria o
Brasil um Apartheid?
No que diz respeito
ao Brasil, acabei de perceber que aplicamos uma politica de educação semelhante
a usada no Apartheid (Lei de Educação Bantu). Lá a educação de brancos e negros
era totalmente diferenciada, visando manter a "raça inferior" para
sempre subjugada. No Brasil ocorre a mesma coisa, a diferença é que aqui, quem
tem dinheiro estuda, quem não tem "simula".
Detalhe é que aqui, a
população pobre, vive nos Bantustões, assim como era na época do Apartheid
devido lei da auto-determinação dos
Bantu, que basicamente criava áreas onde os negros poderiam viver, visto que
foram excluídos e proibidos de frequentar todas as outras com a Lei Reserva de Benefícios Sociais Separados c/c
com a Lei das Áreas de Agrupamento.
No Apartheid ainda
existia a Lei de Registro Populacional, que obrigava todas as pessoas a se
registrarem como brancos, negros ou mestiços, algo comum também no Brasil. Eu
sempre acreditei que eramos todos humanos (homo sapiens sapiens), mas vivo
descobrindo que existe uma tal de "raça" negra, bem como aberrações
como essas, coisa de brasileiro talvez? Não, coisa de branco mesmo, que já
estão tão incutida nas mentes, que os alvos acham que é uma coisa boa, e não
uma absurda forma de discriminação.
Também existia a Lei
de Minas e Trabalho, que permitia o tratamento desigual entre brancos e negros
no emprego. Hm... comum no brasil, porém aqui os nordestinos também entram
nessa lei...
E para concluir,
ainda existia uma perversão chamada de Lei de Cidadania da Pátria Negra, que
basicamente tirou a cidadania dos negros da africa do sul, destruindo qualquer
vestígio de cidadania que podiam ter. Isso também é comum no Brasil, visto que
uma pessoa sem instrução encontra uma dificuldade imensa em se empregar, e
quando consegue é sempre algo na “base da base”, com salários que não garantem
nenhuma dignidade ou mesmo esperança de dias melhores. Ora, cidadão sem
informação, sem chance de conseguir algo a mais não tem condições reais de
exercerem seus direitos com plenitude, até porque os desconhece.
Estou concluindo que
precisamos de um Mandela no Brasil... o quanto antes! E que dessa vez ele seja
branco, preto, amarelo, vermelho, azul... Assim não seremos liderados por uma
"raça" e sim por um ideal em comum: igualdade, liberdade e justiça!
Ai ai.. sonho meu.
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